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Eu gosto de romantismo e, quando me apaixono, alcanço níveis altos no quesito. Mas não consigo admirar os que são românticos, os que são assim em tempo integral e sem férias. É o tipo de pessoa que transforma o simples ato de escovar os dentes em um suplício sentimental fervoroso por que a escova de dentes do ser amado não é mais par da sua, ou porque a escova de dentes do ser amado ainda é par da sua e, só por isso, vai postar o dia inteiro músicas melosas na sua página da rede social.
Até quando você gosta muito de alguém, romantismo tem limite. Funciona mais ou menos como aquela 'gracinha" que a criança faz e percebe que os adultos riram, então, fica ali repetindo e repetindo para aprisionar em si a sensação boa que é a de agradar.
Acho lindo receber flores, ainda mais quando são as minhas preferidas, flores do campo. Mas acho profundamente irritante receber flores em todas as ocasiões que eram para ser especiais, pelo simples fato de que deixa de ser especial quando fica previsível. A vida não precisa ser uma novela da Jane Austen, acredite, ela pode ser mais fácil!
Eis que os românticos me parecem perigosos. Cometem atitudes inconvenientes por não conseguir segurar a vontade do romantismo. Gastam seus 1000 reais em bônus de torpedo com mensagens para o alvo amado em apenas 1 dia. Ficam distraídos e com frequência são pegos em flagrante pensando na morte da bezerra ao som de Djavan.
Mas estou esquecendo o ser romântico que não tem ninguém com quem gastar sua munição de amor. Então, a pessoa resolve direcionar aos amigos e familiares. Que bonitinho! Pena que fica chato depois do trigésimo post para você exaltando a amizade e finalizando com "eu te amo" em um fundo floral.
Sou chata? Quase sempre. Mas se você se irritou com isso é provável que esteja se identificando em algum exemplo, então, você consegue causar mais chatice do que eu.

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