quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sorriso de plástico

Nunca fui conhecida pela minha simpatia. Houve tempo que despendia tempo e esforço (até físico) para esboçar um sorriso capengo, coisa que quase me causava câimbras nos músculos da face. Finalmente, a vida dá voltas o suficiente para te ensinar que sorrir forçado é tão útil quanto tentar enxugar o oceano com papel toalha. Aceitei que um rostinho simpático não me pertencia e deixei de lado essas bobagens.
Eu sei, um sorriso alegra e contagia e blá blá bá... Eu acho isso tudo muito discutível! Não coloco expectativas em alguém pela quantidade de sorrisos que distribuí, mas pela qualidade e intensidade com que sorri.

Meu mau humor é matutino e, às vezes, contínuo. Não consigo emanar entusiasmo pela manhã. Na minha cabeça, manhã e entusiasmo poderiam ser classificados como antônimos. Além do que, acho irritante em grau 937 encontrar pessoas esfuziantes na primeira hora que acordo. Gostaria de andar com uma placa pendurada em meu pescoço: DO NOT DISTURB! Mas não se enganem, eu adoro rir, sorrir, gargalhar, espontaneamente  Só não me sinto obrigada a agradar a quem sequer faz parte da minha vida. Acho pobre de espírito quem se amarra nessas pequenices. Não deixo de me interessar genuinamente por alguém apenas porque ela não tem as mesmas atitudes minhas. E também não me interesso por pessoas que compram livros pela capa.

Entretanto, quando encontro pessoas de bom humor, não recrimino. Embora seja algo que me cause enjoo, respeito que aquela pessoa está em uma frequência astral diferente da minha naquele horário, e só! Não desejo "bom dia" mas o digo, apenas para cumprir a função social dessas duas palavrinhas. Me espanta que tantas pessoas condicionem o seu próprio humor e estima ao fato de ser ou não correspondida por terceiros. São pessoas que já acordam na velocidade 5 do créu e esperam realmente que todos a sua volta acompanhem o ritmo. 

Desculpa, sociedade! Não vim ao mundo para ser mensageira da simpatia. Algumas convenções são apenas cinismo disfarçado de boa educação. Não fosse, eu jamais teria notado a contrariedade que sentem os seres lépidos da manhã ao não obterem de mim um sorriso, nem que seja um de plástico e made in China.

Aos dependentes químicos do afeto fácil, aí vai meu recado: deitem na BR!

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