domingo, 15 de setembro de 2013

A Capa do Disco

Quando entrei na adolescência (e já faz tempo!) ir à loja de discos era uma diversão e uma oportunidade de fazer descobertas interessantes. Naquele tempo não existia a internet. Dava para contar nos dedos de uma só mão e sobravam dedos para dizer quantas revistas sobre música existiam nas bancas. Morar em cidade pequena na fronteira pantanosa do Brasil também não ajudava muito a ficar atualizada com o mundo.  O famoso canal de música ainda não havia nascido em terra tupiniquim. O rádio ainda era o melhor meio.

Então, algumas vezes ao ano, meu pai me permitia gastar uns trocados comprando LP’s. Mas, como a grana liberada era mínima e os discos eram muitos nas prateleiras, escolher era um martírio: ou optava pelo certo, ou atirava no duvidoso na esperança de ter tido sorte. Os títulos eram tantos e as capas tão fascinantes! No final, acabava indo pelo óbvio.  E a chance de deixar me surpreender ficava para trás, nos discos que eu preferi não arriscar.

Lembrando-me dessa época, percebi que meu método da escolha segura foi adaptado para outros setores da minha vida. Somente muitos anos mais tarde, decidi fazer apostas. Mas o risco fica maior ao apostar no desconhecido quando você já está longe do ponto de partida. E você tem que ser rápido ao jogar os dados na mesa, ou ficará para sempre os segurando nas mãos e pensando “e se eu tivesse apostado?”.


É claro que não ganhei todas as apostas que fiz. Também fiquei empolgada com alguns ganhos e apostei demais até perder. Fiquei arrogante. Fiquei frustrada. Mas, as vezes que fiz a escolha certa, levando em conta apenas o que eu queria para mim, essas foram as vezes que fizeram tudo valer a pena. O que tento dizer é que, em algum momento da vida, você precisa experimentar comprar um disco pela capa. 

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