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domingo, 15 de setembro de 2013

A Capa do Disco

Quando entrei na adolescência (e já faz tempo!) ir à loja de discos era uma diversão e uma oportunidade de fazer descobertas interessantes. Naquele tempo não existia a internet. Dava para contar nos dedos de uma só mão e sobravam dedos para dizer quantas revistas sobre música existiam nas bancas. Morar em cidade pequena na fronteira pantanosa do Brasil também não ajudava muito a ficar atualizada com o mundo.  O famoso canal de música ainda não havia nascido em terra tupiniquim. O rádio ainda era o melhor meio.

Então, algumas vezes ao ano, meu pai me permitia gastar uns trocados comprando LP’s. Mas, como a grana liberada era mínima e os discos eram muitos nas prateleiras, escolher era um martírio: ou optava pelo certo, ou atirava no duvidoso na esperança de ter tido sorte. Os títulos eram tantos e as capas tão fascinantes! No final, acabava indo pelo óbvio.  E a chance de deixar me surpreender ficava para trás, nos discos que eu preferi não arriscar.

Lembrando-me dessa época, percebi que meu método da escolha segura foi adaptado para outros setores da minha vida. Somente muitos anos mais tarde, decidi fazer apostas. Mas o risco fica maior ao apostar no desconhecido quando você já está longe do ponto de partida. E você tem que ser rápido ao jogar os dados na mesa, ou ficará para sempre os segurando nas mãos e pensando “e se eu tivesse apostado?”.


É claro que não ganhei todas as apostas que fiz. Também fiquei empolgada com alguns ganhos e apostei demais até perder. Fiquei arrogante. Fiquei frustrada. Mas, as vezes que fiz a escolha certa, levando em conta apenas o que eu queria para mim, essas foram as vezes que fizeram tudo valer a pena. O que tento dizer é que, em algum momento da vida, você precisa experimentar comprar um disco pela capa. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alô?


Celular é arma. Qual de nós já não sofreu um atentado à paciência em razão deste objeto maravilhoso? Quem já não foi acordado às 5h de uma bela madrugada? E aquela voz embaçada exalando álcool pela via telefônica só para te dizer que "te considera muiiiiiito". Ou seu foco no discurso de um palestrante interrompido de maneira hedionda por um toque musical numa versão MC Catra.

Ah, amigos! Celular é objeto bélico. De uso indiscriminado nos momentos mais inconvenientes. 
Pior quem devolve o tiro. Pega o maldito e liga para a mamãe (porque mães não podem esperar) enquanto dirige sem notar a buzina do carro vizinho que o alerta da bobagem. Depois xinga a mãe do motorista, a avó do motorista e até a geração que nem veio.

No restaurante, é indigesto. Entre a salada e a sobremesa, falação inútil é o prato principal. Quanta urgência há em falar ao telefone que não possa esperar o tempo da mastigação? Além de fazer alvo os inocentes que apenas estão tentando se alimentar. Fica o mundo sabendo do seu problema com Fulano que não respondeu seu torpedo enviado 1 minuto antes e a suprema ansiedade não permite esperar. 

Na escola é mais importante enviar foto do cabelo desgrenhado do professor do que tentar entender o que todos estão fazendo ali. No ônibus é a própria definição da desgraça. Gente ouvindo chiados em volume máximo sem fones de ouvido. Viagens noturnas com sono assassinado pela luz do objeto agora usado para joguinhos. A tia velha que não para de matraquear fofocas enquanto tudo que você queria era dormir um pouquinho.

E agora temos foto de tudo. Antigamente tínhamos que ter motivos para fotografar. Um amigo distante que reencontramos, uma reunião festiva da família, um nascimento, um casamento, uma conquista na vida, o primeiro carro, etc. Agora nossos motivos são a primeira coisa que os olhos apontam: o cadarço do tênis, um prato de comida, a árvore da rua, a outra árvore da rua, mais uma árvore da rua...

Embora seja vítima dessa arma,  também sou a pessoa que puxa o gatilho. Não vivo sem meu celular. Tenho aprendido a dominar o uso e condicioná-lo ao que realmente é seu verdadeiro objetivo: comunicar.