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domingo, 17 de novembro de 2013

Fazer ou não fazer?

O que é o domingo? São 24 horas de prazo para sentir saudade dos dias úteis. Uma corrida contra o tempo. É um objetivo, uma meta e um prazo.

O dia amado e odiado na mesma proporção. É quando temos que decidir o que fazer ou não fazer para aproveitar ao máximo. Otimizar o descanso e o lazer, tudo ao mesmo tempo. Ainda, lidar com a ansiedade que antecede a segunda-feira. O domingo é morrer de véspera.


Se acordar meio dia vou perder a manhã. Se acordar muito cedo, perco o descanso. Vou aproveitar para organizar gavetas, visitar amigos, assistir tv, ler um livro, fazer um passeio, dar banho no cachorro, lavar o carro, colocar os estudos em dia, testar uma receita nova na cozinha, cortar a grama, ter uma ideia incrível, bolar um plano infalível e buscar a paz mundial. Cabe tanta coisa em um domingo! E cabe até uma certa tristeza quando ele chega ao final. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

100% algodão

Meias de algodão. Nenhum lugar é mais seguro e confortável do que minhas meias de algodão. Na impossibilidade de retornar ao útero materno, as meias. Nelas repouso os pés cansados de chão. Os pés cansados de pôr-se em movimento. Refúgio. Contra a frieza que o mundo te trata, meias de algodão. Cada um inventa sua própria maneira de reencontrar-se. A minha é o que me aquece, me acalma e me conforta em silêncio. Eu poderia dizer o mesmo de muitas pessoas que amo, mas a elas não reservo este tempo de céu pesado que paira sobre mim. A elas, prefiro reservar os dias ensolarados. E que não me faltem as meias de algodão.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os dois teimosos

Estou em férias, mas não em estado de férias, ou seja, minha Mente ainda trabalha. Meu Corpo não. Esse anda apegado ao sofá de casa, todo manhoso e sonolento. A Mente, coitada, andava com a agenda cheia de coisas importantes a fazer, coisas para garantir o futuro. Havia muito o que estudar, muito o que assimilar e todas as gavetas da vida para colocar em ordem. Obcecada, chegou a escravizar o Corpo, deixando-o sem dormir, esquecendo de alimentá-lo, nem ao menos levava mais para passear. 

Costumava ser uma dupla de sucesso, chegando sempre juntos e um respeitando as vontades do outro. Mas tem tempo que a relação anda tumultuada. O Corpo já não entende mais o que a Mente anda fazendo. Ele queria ir à praia e pegar um pouco de sol, sentir o sal do mar e ter sensações novas. A Mente acha que não é o momento, é preciso fazer coisas bem mais urgentes. De tal forma que o Corpo obrigou-se a perguntar a ela: afinal, que coisas são essas das quais você sempre fala mas nunca as vejo?

E deu-se a discussão do relacionamento!

Agora estão ambos magoados. Ele se sente colocado em segundo plano. Ela acha injusto que trabalhe pelos dois. Vendo que são obrigados a permanecer juntos, optaram por ignorar um ao outro e cada qual tenta fazer o que bem entende. O Corpo se recusa a sair do sofá e a Mente insiste em torturá-lo com urgências que nem existem. Enquanto isso, em meio ao tempo perdido, levanto a inútil bandeira branca da paz.