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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Outro tijolo na parede

Pensar na educação hoje em dia é entristecer-se. Quem são os pais que estão educando esta geração? Quem são os pais que estão servindo de modelo para a criançada? Quem são os pais e quem são os filhos?
E daquela frase “os incomodados que se retirem” nem é possível aplicar. O mundo é um só e estamos todos nele. Mas a educação é o que nos mantêm no prumo e não faz o barco virar. Infelizmente, parece que a nau vai à pique, vazando água lentamente.

Existem dois sentidos para a educação: aquela que vem do estudo, do conhecimento, e esta que vem do berço. Esta que independe de condição financeira para se justificar, que não leva o selo de garantia acadêmico, mas que diferencia os homens dos apenas primatas.

Quando eu era criança, eu não sabia, mas era educação que recebia da hora de acordar até a hora de dormir. A liberdade era permitida aos poucos, como quando aprendemos a andar de bicicleta. A mão do pai te segurando firme até você aprender a ter o equilíbrio. Só então a mão protetiva vai se afastando lentamente enquanto você avança por si mesmo. Educar é segurar firme para proteger dos tombos enquanto a lição é bem compreendida.

Mas, hoje, o que mais se vê por aí é gente adulta mais infantil do que nunca. Gente que acha que pode escutar música bem alta e que o vizinho não tem que reclamar disso. Gente que aceita provocação no trânsito para provar que é muito bom em ser idiota. Gente que processa o professor por ter repreendido o filho. Gente que deve sim ter tido a boa e velha educação, mas acha que ser educado é ser otário.

Onde foi parar a compreensão e o respeito? Bem provável, na lata do lixo. Eis o “triste fim de Policarpo Quaresma”.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A gestão do desconhecimento

Quando escolhi ir para o funcionalismo público foi por conta do medo do desemprego. Por muitos anos vivi na rotina de matar um leão por dia e, ainda assim, dormir intranquila sem saber se pela manhã meu emprego ainda estaria esperando por mim. Medo de não pagar o aluguel, de dever ao banco, de sub-sobreviver.

Foi por esta única razão que fiz minha escolha. Estudei com dedicação que nunca tive nos tempos de escola. Enfim, um dia consegui. E lembro que a sensação foi como ganhar na loteria (embora eu nunca tenha ganho nem em rifa). 

Mas a realidade é muito diferente do que o senso comum imagina. Porque eu também era daquelas pessoas que ficava repetindo bobagens das quais nunca tive conhecimento: funcionário público é tudo marajá; trabalham quando querem; não fazem nada; etc. Isso nada mais é do que ser papagaio de pirata, só repetindo sem ter ideia do que se está dizendo. 

Minha chegada nesse universo peculiar foi difícil. Raros são os órgãos preparados para receber gente nova na folha de pagamento. Em empresas privadas, a qualificação e aperfeiçoamento do funcionário é um investimento. A motivação de pessoal é ferramenta indispensável. A ideia de liderança é tão crucial que os administradores modernos não se descuidam e vivem antenados às necessidades externas e, também, internas. Porque tudo é um único processo em que há um objetivo a ser alcançado.

O que ocorreu comigo é quase como uma decepção amorosa. A segurança financeira tornou-se pouco compensadora frente às desvantagens, a meu ver cada vez mais abundantes. Mas, por enquanto, insisto. Trabalhar é preciso.

Ser funcionário público é sair da cama todos os dias para trabalhar sabendo que a motivação está cada vez mais escassa e depende unicamente de você mesmo. É sair de seu lar consciente de que não haverá reconhecimento, pelo contrário, é ouvir de um vagabundo qualquer que ele paga nossos salários. É fazer o que tem de ser feito mesmo sabendo que seremos escalpelados pela ideia geral de que somos fantasmas ou preguiçosos. 

Mas como trabalhadores que somos, comuns, simples, normais, continuamos saindo todos os dias de casa para cumprir com as obrigações, muitas delas feitas com imensa satisfação. Apesar de tudo, aprendemos a manter o respeito e a dedicação à fonte de nosso sustento. E o que nos falta mesmo, é liderança verdadeiramente interessada e competente, que ajude a não se criar joio onde há o trigo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

La Vendetta


A privacidade morreu. Saudade de quando um número de telefone era usado para comunicar e não para enlouquecer pessoas. Ficou pior com a chegada do celular. Alvo da minha queixa: empresas de telemarketing.

Quem nunca recebeu ligações inconvenientes e persistentes, seja no celular ou no telefone de casa? Para uma empresa de telemarketing, não existe tempo ruim, momento inapropriado ou exagero na insistência. Não adianta ignorar a ligação. Eles vão te ligar o dia inteiro, incansavelmente. É melhor atender logo. Também não adianta explicar que você não quer cartão de crédito, pois já nem consegue pagar os que possui. 



Não importa se é domingo de manhã ou uma sexta-feira na hora do jantar. O telefone vai tocar e é melhor, para seu próprio bem, atender. Já notei que existe um tipo de vingança contra os que se recusam. Certa vez, depois de muita luta, exigi de uma empresa que retirasse meus números desse tipo de cadastro, pois jamais eu havia autorizado nem repassado minhas informações a eles. Fui atendida. Recebi, inclusive, um número do protocolo da minha solicitação. Quase chorei de emoção, pois estava me livrando de um transtorno que vinha há meses ocorrendo. Algumas horas depois (sim, somente algumas horas depois), os telefones celulares de meus familiares começaram a tocar: era a maldita empresa! Deixaram de me ligar e passaram a ligar para quem estava à minha volta. Acho que nem a máfia seria tão vingativa assim!

Eu não ficaria tão chateada e incomodada em atender este pessoal, afinal, essas empresas pagam o salário de pessoas que precisam sustentar suas famílias. Mas eu gostaria de mais respeito. Gostaria de ter minha privacidade de volta sem ter que pagar pelo resgate adquirindo uma porcaria de produto qualquer. Gostaria de não precisar desligar meu próprio telefone quando algumas dessas empresas resolvem me telefonar mais de 20 vezes no mesmo dia. Gostaria que respeitassem horários de descanso e feriados.

Mas enquanto sonho com isso, sigo me esquivando como posso e fazer a única coisa que me resta: comprar de quem não me liga.