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terça-feira, 9 de junho de 2015

Eu não sei ser princesa

Eu não sei ser princesa, mas sempre quis viver meu conto de fadas. Às vezes falo palavrão, fico de porre, desço do salto, perco a vergonha na cara e a educação. Tenho meus dias ásperos em que desisto de ser rosa e visto-me de espinhos. Mas existem dias e... existem outros dias. 
E um dia te conheci. Foi quando a vida ficou melhor que o conto. Quando resolvi trocar fadas por flores. Foi quando descobri que príncipe encantado não supera um homem de coração largo. Nenhum castelo é maior que teu abraço.
Um dia saí da fantasia e fui viver o real. Em um dia assim te descobri. Por dias assim que quero viver para sempre, ainda que felicidade seja uma montanha russa. Gostar de alguém é, antes de mais nada, deixar alguém gostar de você também.


sábado, 4 de outubro de 2014

A tribo

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Surge uma nova tribo no infinito deserto virtual. Eis-me ali. Postada sob a forma de avatar, que é a forma que eu quiser e não a de como sou. Andarilha, nômade em um camelo de megapixels, percorro o caminho óbvio. 

A tribo move-se rápido. Muda o acampamento tão logo esgote o oásis. Mas não há paraísos, é tudo areia. Tudo é grão que se esvai no assunto do momento, na foto mais comentada, na pauta de bobagens.

E quando a tela descansa, finalmente temos paz.

domingo, 1 de setembro de 2013

A saga sanguessuga

Andei observando a onda da vampiromania que tem arrastado multidões aos cinemas. É certo que o vampiro é, de longe, o mais irresistível personagem que a mente humana já produziu baseado na tríade imortalidade, beleza e inteligência. Quem não tem um vampiro como alter ego que jogue a primeira estaca. 

Mas o que surgiu recentemente foi a profanação do mito. Um tal de Edward Cullen e Bella Swan emergiram das páginas da ficção para cair nas graças de uma geração de jovens meramente mortais, comuns e confusos. Ainda, o romance entre os atores que interpretam tais personagens veio alimentando esta desastrada novela de amor e sangue. Tudo culminando em uma frustração generalizada quando o relacionamento dos atores é desnudado, mostrando que, fora das telas, são "gente como a gente". 

No encalço da saga de Edward e Bella, seriados, mais filmes, mais livros e mais produtos destinados a um público insaciável e monotemático. E eu pensando: como serão as relações amorosas deste pessoal? As Bellas da vida real, inseguras e indecisas. Os Edwards, choramingando e fugindo na primeira dificuldade. Um amor pautado no impossível, como se o impossível acontecesse a todo momento em nossas vidas. Como se apenas o impossível fosse digno de se amar e do tempo que temos.

Mas desde que o mundo é mundo e a humanidade anda sob dois pés que a imaginação vive tentando sobrepor-se à realidade. Uma luta entre o que gostaríamos de ser e o que realmente somos. E manter o jogo equilibrado é realmente vencer.