quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sinceramente

As pequenas mentiras da rotina que pronunciamos para não entristecer alguém amontoam-se em uma gaveta que costumo chamar de "coisas inofensivas".
Nunca lembro de tirar a poeira que acumula nessas lembranças, aliás, nunca lembro mesmo, nem da gaveta, nem do que foi falado.
São as coisas inofensivas que não passam de mentiras, mas inofensivas para quem? Se, lembrar eu evito e divulgar não é preciso.
Imagino se eu tivesse dito realmente a verdade naquele instante. Teria dito que não gosto do seu cabelo. Que seu perfume me irrita e o seu jeito de falar me deixa sonolenta.
Teria confessado que eu não ligo e, menos ainda, ignoro. Sentaria ao seu lado para dizer baixinho, ao pé do ouvido, que não me importa.
E tudo aquilo que você opinou sobre minha própria vida, não me alcança.
Mas, ainda assim, eu menti. Coloquei o sorriso na boca que te dizia apenas o que você quis ouvir.
E eu menti para você. Menti tão somente por você. Pela real necessidade de nunca te deixar triste.
A você, amigo(a), reservo pequenos delitos se forem para te fazer mais feliz.

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