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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

No Topo do Mundo

Na infância os voos eram determinados pela altura do pé de goiaba, pela altura do muro da escola, pela altura de pai e mãe no alto de suas sabedorias.

No início da fase adulta os voos ficaram mais altos. E toda a emoção deles dependia da altura do salto do meu sapato, ou daquela bebida que acabara de descobrir me elevando ao ponto mais alto da alegria. E, ainda, na altura do pulo no escuro enquanto caía nos braços de alguém.



Mas, na fase um tanto mais madura, a altura do voo não é mais importante. E você descobre que rasantes suaves te deixam mais elevada, mais serena que nuvens de verão. Você descobre que aquele muro da infância nem era tão alto assim. Que o velho pé de goiaba não é a torre de um castelo.

Agora, aproveito melhor a paisagem até onde a vista alcança. Concedo descanço aos pés que agora acomodam-se em sapatos menos ambiciosos. Penso mais na sombra das árvores. Penso na árvore genealógica, dando mais valor a seus ramos e raiz. 

Meu voo agora é mais sensação do que aventura. O coração encontrou o ritmo. O tempo é um amigo querido te esperando na última estação.

Meu céu nem sempre está no alto. E, em alguns dias, consigo sentir a brisa doce que sopra a quem está no todo de tudo, ainda que o tudo seja apenas eu.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Das transformações


O que você quer ser quando crescer? Isso mesmo! É essa a pergunta que ainda me faço distraidamente. Já se passaram três décadas e eu ainda sonho em ser alguém como Indiana Jones ou uma astronauta, quem sabe até Jedi!

Tem uma criança em mim, insatisfeita com as coisas da vida. Falo da vida de adulto, cheia de regras implícitas e tempo cronometrado para, entre uma coisa e outra, viver.

Aos 10 anos eu tinha pressa em ter 15 para poder ir às festas que via minha prima ir. Aos 15 eu queria ter 18 e ter minha carteira de motorista. Aos 18 eu queria logo ter 25 porque era a idade que eu imaginava que tudo estaria como eu planejei. Passou 25, passou 30 e agora estou com 34 anos e ainda não sou Indiana Jones.

E é em um momento qualquer da rotina que você se pega pensando no queria ser e no que você se transformou. Num dia em que tudo está muito chato e as pessoas à sua volta são simplesmente entediantes. Talvez, no mesmo dia em que você próprio está entediante.

Foi assim que concluí algo importante sobre os sonhos da infância. Eu não me transformei no que esperava. Eu sou uma pessoa como outra qualquer neste mundo tão grande. Mas, aos 34 anos, ainda mantenho a fé na transformação. E, mesmo que seja aos 70 anos, se meus sonhos continuam comigo é porque a vida tem valido a pena.