Agora vamos falar de coisa boa, vamos falar de solidão. Isso mesmo! Que palavrinha temida e desrespeitada! Por muito tempo eu a equiparei à própria morte. Talvez pior que a morte (pois dessa, quem é vivo nada sabe), já que solidão é associada à rejeição, ao fracasso, à tristeza.
Mudei minha visão a respeito dela. Criei certa afeição pela palavra. Pois tantas vezes vim a estar em estado de solidão mesmo na companhia de tanta gente. E mais outras tantas vezes, a desejei acima de tudo. Como temer a solidão se nos servimos dela a qualquer momento?
Famigerada solidão, é o que pensam os amantes. Mas, mesmo o amor precisa de solidão para não esgotar. Ainda que seja aquele momento só seu para ler um livro, para ouvir aquelas músicas que só você gosta, para andar de pijama e cabelos desgrenhados sem sentir culpa, ou ter um momento para pensar sem interferências externas.
Solidão comparada ao deserto. Uma longa jornada sem ninguém para conversar, sem o afago, sem o porto seguro nos tempos de aflição.
Estar sozinho é bom, é produtivo. Também é preciso afastar-se para enxergar o todo, ampliar o horizonte. Prosseguir no isolamento é decisão de cada um. Culpar aos outros por manter-se assim é despreparo de vida.
