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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Nem todo brilho é ouro



Viver bem consigo mesmo é uma arte. Nem sempre a vida imita a arte. O que meus passos ao longo do caminho me ensinaram foi a difícil tarefa da aceitação. Ninguém precisa ser um ideal humano. Eu gosto de quem sou. Em mim mora a imperfeição, o erro e o engano. Mas não dou guarida à frustração de um objetivo inalcançável. Vou até onde minhas forças me levam. Meus atos podem ser falhos, porém, sinceros.
Aceito quem sou. Procuro melhorar. Porém, respeito meus limites. Só eu sei o que pode me fazer bem e o que pode me derrubar. Ao bem, meu foco. Ao mal, minha distância. Por amor a mim mesma desfaço os nós dos convívios forçados e fingidos. Não necessito da mão que ajuda enquanto a boca me desgraça. Rejeito a amizade dissimulada, o pseudo amor e o veneno destilado.
Sou o que sou sem esforço. Mantenho-me arisca, o mundo anda um perigo. Mais tranquilo é um único coração amigo do que uma centena de falsos sorrisos.

domingo, 1 de setembro de 2013

A saga sanguessuga

Andei observando a onda da vampiromania que tem arrastado multidões aos cinemas. É certo que o vampiro é, de longe, o mais irresistível personagem que a mente humana já produziu baseado na tríade imortalidade, beleza e inteligência. Quem não tem um vampiro como alter ego que jogue a primeira estaca. 

Mas o que surgiu recentemente foi a profanação do mito. Um tal de Edward Cullen e Bella Swan emergiram das páginas da ficção para cair nas graças de uma geração de jovens meramente mortais, comuns e confusos. Ainda, o romance entre os atores que interpretam tais personagens veio alimentando esta desastrada novela de amor e sangue. Tudo culminando em uma frustração generalizada quando o relacionamento dos atores é desnudado, mostrando que, fora das telas, são "gente como a gente". 

No encalço da saga de Edward e Bella, seriados, mais filmes, mais livros e mais produtos destinados a um público insaciável e monotemático. E eu pensando: como serão as relações amorosas deste pessoal? As Bellas da vida real, inseguras e indecisas. Os Edwards, choramingando e fugindo na primeira dificuldade. Um amor pautado no impossível, como se o impossível acontecesse a todo momento em nossas vidas. Como se apenas o impossível fosse digno de se amar e do tempo que temos.

Mas desde que o mundo é mundo e a humanidade anda sob dois pés que a imaginação vive tentando sobrepor-se à realidade. Uma luta entre o que gostaríamos de ser e o que realmente somos. E manter o jogo equilibrado é realmente vencer. 


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Grandes Bobões do Universo


Então você passa a conviver com uma pessoa que te causa admiração em grau máximo. Você quer ser assim, se espelha e anota mentalmente cada palavra dela. Pois tudo é sabedoria e tudo é bom. Os dias passam e o convívio ainda é visto como uma dádiva. Dá flagrante em si mesmo agradecendo aos céus por tamanha oportunidade de ser aprendiz de alguém que só você enxerga meio que sendo o Mestre dos Magos.

Leva um tempo para começar a aparecer as primeiras nódoas na magnífica convivência. O que você faz? Saca dos bolsos um punhado de pequenas desculpas para amenizar os sintomas da pré-desilusão. É que a pessoa dormiu mal, acordou mal, está com fome, brigou com alguém em casa, está com problemas no banco, está com dor de dente, com dor de cabeça, em um bad hair day, etc.

De repente, você descobre seu incrível potencial para justificar loucamente aquilo que, para os outros meros mortais, é óbvio: aquela pessoa não é real. Há alguma coisa refletida nela que fica distorcida, confusa e embaçada. Não era a pessoa, era o seu modo de olhar para ela.

E acontece assim, sem hora marcada e nem dia previsto. Sem aviso de perigo. Você simplesmente explode. Detona a dinamite da decepção e joga no ar estilhaços de mágoa. “Como pude me enganar tanto assim?” – repetindo como um mantra. A pessoa não te entende, muito menos você consegue se explicar. A admiração do aprendiz vira frustração. Enquanto o mestre pensa consigo mesmo: Criei um monstro! Passam-se os dias, aumenta-se a distância. Mas, indiferente a toda essa confusão, segue girando a roda da vida. Segue girando o mundo.