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| Antologia Poética - Carlos Drummond de Andrade |
domingo, 9 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Das confissões
Então é Natal... E só se fala
em promoção, em comprar, em gastar, em dinheiro, para o dinheiro...
Sou do tipo de pessoa que adora
as festas de final de ano, o clima de euforia-alegria-expectativa. Gosto de
enfeitar a casa, de planejar a ceia. Gosto tanto desses preparativos que talvez
devesse me chamar Natalina (ok, menos!).
Então você caminha pelas ruas e
vê o Natal anunciado nas vitrines. “Três por dez!”, berra o ambulante. Você se
convence de que a data é só mais uma gritaria sobre o valor monetário de todas
as coisas.
As crianças de hoje não sabem o
que é o Natal. Apenas contabilizam as possibilidades de presentes que vão
ganhar. E jogam-se ao chão entre lágrimas forçadas para persuadir adultos
desorientados a lhes dar o que querem.
As luzes de Natal nem brilham,
nem piscam, nem colorem mais, apenas vendem. A tudo se deu um preço. E transformaram-se
sensações em números, em códigos de barras. Distanciando-se do campo das
crenças, muito além de uma data do calendário cristão, o Natal é um dia para lembrarmos
como poderíamos ser melhores o ano todo.
Inevitável pergunta: por que
ainda acredito no Natal?
Tenho uma lembrança tatuada na
memória. Foi no Natal de 1986. Eu já estava naquela idade em que o encanto
havia sido desfeito e o tal do Papai Noel desacreditado. Então, na noite de
véspera, com a casa repleta de pessoas queridas, ele entrou pela porta da
frente. Sem anúncio, apenas o “Ho, ho, ho!”. Esqueci até de respirar. Corri
para um abraço cheio de alegria. Papai Noel estava ali! De roupa vermelha,
barba branca e cheio de presentes.
Fiquei ao lado dele por um
longo tempo. E, mesmo o flagrando puxar a barba para beber em um copo de
cerveja, mesmo reconhecendo nele os olhos e nariz do meu tio, mesmo sabendo que
o presente havia sido comprado pelos meus pais, mesmo assim eu estava feliz. Apesar
de tudo indicar a realidade, foi a magia do instante que sobreviveu. E é essa
magia que levo comigo para lembrar que somos sentimentos e não apenas números.
Sim. Meu nome é Lígia, tenho 35
anos e acredito em Papai Noel.
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domingo, 17 de novembro de 2013
Fazer ou não fazer?
O que é o domingo? São 24 horas
de prazo para sentir saudade dos dias úteis. Uma corrida contra o tempo. É um
objetivo, uma meta e um prazo.
O dia amado e odiado na mesma
proporção. É quando temos que decidir o que fazer ou não fazer para aproveitar
ao máximo. Otimizar o descanso e o lazer, tudo ao mesmo tempo. Ainda, lidar com
a ansiedade que antecede a segunda-feira. O domingo é morrer de véspera.
Se acordar meio dia vou perder
a manhã. Se acordar muito cedo, perco o descanso. Vou aproveitar para organizar
gavetas, visitar amigos, assistir tv, ler um livro, fazer um passeio, dar banho
no cachorro, lavar o carro, colocar os estudos em dia, testar uma receita nova
na cozinha, cortar a grama, ter uma ideia incrível, bolar um plano infalível e
buscar a paz mundial. Cabe tanta coisa em um domingo! E cabe até uma certa
tristeza quando ele chega ao final.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
100% algodão
Meias de algodão. Nenhum lugar é mais seguro e confortável do
que minhas meias de algodão. Na impossibilidade de retornar ao útero materno,
as meias. Nelas repouso os pés cansados de chão. Os pés cansados de pôr-se em
movimento. Refúgio. Contra a frieza que o mundo te trata, meias de algodão. Cada
um inventa sua própria maneira de reencontrar-se. A minha é o que me aquece, me
acalma e me conforta em silêncio. Eu poderia dizer o mesmo de muitas pessoas
que amo, mas a elas não reservo este tempo de céu pesado que paira sobre mim. A
elas, prefiro reservar os dias ensolarados. E que não me faltem as meias de
algodão.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Outro tijolo na parede
Pensar na educação hoje em dia é entristecer-se. Quem são os
pais que estão educando esta geração? Quem são os pais que estão servindo de
modelo para a criançada? Quem são os pais e quem são os filhos?
E daquela frase “os incomodados que se retirem” nem é
possível aplicar. O mundo é um só e estamos todos nele. Mas a educação é o que
nos mantêm no prumo e não faz o barco virar. Infelizmente, parece que a nau vai
à pique, vazando água lentamente.
Existem dois sentidos para a educação: aquela que vem do
estudo, do conhecimento, e esta que vem do berço. Esta que independe de
condição financeira para se justificar, que não leva o selo de garantia
acadêmico, mas que diferencia os homens dos apenas primatas.
Quando eu era criança, eu não sabia, mas era educação que
recebia da hora de acordar até a hora de dormir. A liberdade era permitida aos
poucos, como quando aprendemos a andar de bicicleta. A mão do pai te segurando
firme até você aprender a ter o equilíbrio. Só então a mão protetiva vai se
afastando lentamente enquanto você avança por si mesmo. Educar é segurar firme
para proteger dos tombos enquanto a lição é bem compreendida.
Mas, hoje, o que mais se vê por aí é gente adulta mais
infantil do que nunca. Gente que acha que pode escutar música bem alta e que o vizinho
não tem que reclamar disso. Gente que aceita provocação no trânsito para provar
que é muito bom em ser idiota. Gente que processa o professor por ter
repreendido o filho. Gente que deve sim ter tido a boa e velha educação, mas
acha que ser educado é ser otário.
Onde foi parar a compreensão e o respeito? Bem provável, na
lata do lixo. Eis o “triste fim de Policarpo Quaresma”.
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