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sábado, 19 de janeiro de 2013

Só por um dia...

Hoje eu não tinha nada para fazer, então, não fiz. Não tinha nada no que pensar, não pensei. Não tinha saudade para sentir, nem amor para exaltar, nem acontecimento para lamentar... hoje apenas vivi.

Fui dar uma de Narciso e me debrucei sobre o córrego de água só para dizer a mim mesma "gosto de você". Só por um dia, não me cobrei por coisas impossíveis, nem fiz um drama de vida, nem usei o véu da vergonha na cara. Tirei um dia de folga de tudo o que é regra, convenção, imposição ou simples obstrução em meu caminho.

Saí na rua de cara lavada. Alisei meus cabelos com os dedos e vesti o que não combinava na moda mas, sim, comigo. Comi para matar minha fome, bebi para saciar a sede e sentei-me à sombra do tapume sem aquela culpa pela preguiça que me acompanhava.

Hoje, não fiz uma social com amigos e me dei de presente a companhia de família. Tirei de perto a preocupação, a ansiedade e a fadiga do fardo ilusório de carregar o mundo nos ombros. Ouvi músicas antigas e de gosto duvidoso. Evitei o deboche e a intriga. Fiz de conta que tudo era faz-de-conta. 

Agora, neste momento que promovo a ocupação territorial da minha cama pelo meu corpo, extraio da noite aquilo que ela tem de melhor: o saldo de um dia. E percebo, no barulho que fez a latinha da cerveja que abri, a vida é assim, um tanto de amargo e outro tanto de prazer. Basta saber degustar.

domingo, 12 de agosto de 2012

Pater Noster



Um domingo aos pais. De acordar cedo, apesar da ressaca, para abraçar seu pai-herói. Dia de lembrar com saudade gigante de quem já partiu. Dia de desejar ter conhecido. Dia de aproveitar a presença. Dia de ligar ao pai que mora longe e dizer “eu te amo”. Dia de presentear. E não importa que sejam meias outra vez, importa que seja carinho autêntico.

Talvez o pai não tenha tido tempo para todos os seus chamados. Talvez não tenha tido dinheiro para todos os seus pedidos de aniversário. Talvez tenha andado distraído por conta do trabalho. Talvez ele estivesse apenas tentando ser o melhor pai, da única maneira que soube ser.

Há quem não tenha orgulho dele. Que prefira dar um abraço a um pai postiço. Há quem não admita as semelhanças. Quem renega o sangue. Quem corta o vínculo. Haverá sempre a mágoa de criança que não brincou com seu pai.

Mas, hoje é domingo deles. Do pai e do filho, dos filhos do filho. É um dia de tios, de irmãos, de amigos. E, também, o dia da mãe que incorpora dois papéis. Simplesmente, dia de abençoar a função de ser pai, com todos os significados que possa haver.  

Se você tem a quem dizer “obrigado, meu pai”, que o faço não apenas nesse dia de agosto. Aproveite qualquer momento. Seja uma razão de alegria a quem só quer que você seja feliz. E, se acaso você não pode ter orgulho de seu pai, então, seja você o orgulho dos seus filhos.