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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando li sobre a proibição do sal à mesa


Que estranho momento estamos vivendo! Parece que há a predominância de certos mantras como, “proibir sempre, tolerar jamais” e “só a vitimização salva”. Eita, que esta geração está chata! Parecendo mais criança birrenta que não ganha o presente de Natal que pediu. Resolvendo tudo no grito, batendo os pezinhos no chão para ser o centro das atenções. E eu me pergunto, onde estão os pais desta “criança”?!

Não sei em que época as coisas começaram a desandar, mas sei que este tombo para trás da evolução vai deixar marcas na pele da humanidade. A geração que não sabe resolver seus problemas, pelo contrário, cria outros piores. É igual ao sujeito que faz um empréstimo para quitar outro. A geração que faz o individualismo a regra e a democracia, a exceção. A geração que não consegue lidar com frustrações. Que joga a educação de seus filhos na mão de terceiros. Que acha que tudo é culpa dos políticos. Que não vê problema em dar um “jeitinho”, desde que seja para si. A geração que veio com o argumento da interatividade, mas nada mais que Narcisos. A geração da selfie, dos grupinhos no aplicativo, do check in, da vida perfeita do comercial de margarina. A geração que carrega na maquiagem social para esconder os defeitos. A geração do dedo apontado na cara alheia e do textão para todos os fins.

Só resta constatar que estamos vivendo a geração mais mimimi e porre de todos os tempos! Então você pensa sobre a próxima leva de filhos paridos nestes tempos! Agora façamos 1 minuto de silêncio pelo sal, pelo açúcar, pelo bom senso, proibidos de estarem à mesa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O elo perdido

Alguma coisa aconteceu nas últimas duas décadas. A terra tremeu, mas não um tremor perceptível e inconfundível, como a queima imaginária de sutiãs das feministas ou os moicanos coloridos dos punks. A terra moveu-se de modo tão discreto que ninguém sentiu. Embora sem anúncios, algum alicerce ruiu nessa sociedade, fez-se pó em meio a tanta bagunça.

A geração que pariu a década de 90 dançou ao som de sintetizadores a liberdade. Um grande muro foi derrubado. Uma fila de tanques de guerra rendeu-se a um estudante. Governos se desfizeram. E ditaturas findaram. Parece ser o elo perdido entre uma época de luta e o descaso.


Seus filhos cresceram com voz. Geração falante. Livres para expressar, mudar e fazer outra história. Deram novo significado à palavra "comunicação". Uniram-se em redes. Democratizaram a informação, alías, até a democracia lhes foi concedida.

No entanto, o espírito empobreceu. Não vivendo as vitórias pregressas, pouco valor conferem ao que foi realizado. Até acham importante, em caso de serem questionados. Afinal, é cool ter opinião. Mas a memória dessas gerações parece cada vez mais referência apenas à capacidade de armazenamento de dados digitais.

E, onde estão os pais dessas gerações? Engolidos pelo comodismo que há em abrir o jornal e balançar a cabeça como quem diz "o mundo está louco". A quem lutou para ter voz, lamento agora que a herança seja silêncio. Aos que resistem, insistam, que ainda vale a pena.