terça-feira, 24 de julho de 2012

Enquanto chovia...


Chove...e corro pela rua desviando das poças e das pessoas. Abrigo-me de forma desajeitada debaixo de uma marquise. Na vitrine, meu reflexo. Tento realinhar a rebeldia do cabelo, é inútil. Arrisco mais passos adiante. Por quê o outro lado da rua ficou tão distante? Um pingo de chuva em meu rosto imitando uma lágrima. 

Ninguém repara no céu cinzento em um dia assim. Eu olho atentamente para a calçada, escolhendo onde pisar. Prossigo nos meus afazeres. Mexo na bolsa procurando alguns papéis. Por um segundo, arrependida de levar coisas demais comigo. 

Continuo caminhando. A chuva aperta. Já consigo ver o carro no outro quarteirão. Apresso-me. Penso em mil coisas importantes que tenho para fazer. Tão importantes! Agora, ocupada demais tentando vencer o tempo, não noto aquele rosto escondido debaixo do guarda-chuva. Não noto que alguém esbarrou em mim e pediu desculpas sorrindo. Eu estava em outro lugar que não em mim quando o amor falou comigo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Fiesta, fiesta!


Em plena segunda-feira já tem amizade ligando para combinar o final de semana. Na quarta-feira, liga, manda torpedo e te chama no MSN (mesmo você estando off line). Na quinta-feira bate a ansiedade na pessoa e ela te pergunta várias vezes o que você decidiu.

Gente! Como é que vou saber se na sexta-feira por volta das 21h eu estarei com aquela vontade absurda de ir pro boteco, balada, o que for? Sou o tipo de pessoa que decide para onde vai conforme a vontade da hora. Não gosto de transformar em compromisso minha própria diversão.

Algumas vezes, até a escolha da roupa muda minha direção. Acordo numa sexta-feira com uma super vontade de usar aquele sapato meio drag queen e pintar a cara como se estivesse indo para a guerra. Nesses momentos, não me venha com esta de “barzinho”. Em outro dia, tenho necessidade suprema de sentar em algum lugar com boa música, pedir meu drink preferido e ouvir meus amigos contando da semana. E, muitas vezes, meu desejo mais profundo é curtir aconchego, lar, emendar um filme no outro e comer brigadeiro na panela.

Então, vou ao sabor do vento, do momento! E espero que os amigos entendam e, ainda assim, continuem fazendo convites para boteco, para balada e quem sabe, até um programa de índio.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A via crucis da amizade


De repente percebo que tenho liberdade e decido usá-la. E assim vou libertando também minhas vontades e desamarrando meu compromisso com quem não interessa. 

Nada mais chato que fazer coisas apenas por educação. Manter amizades que não acrescentam, não multiplicam, não potencializam em nada nossa vida. 

Às vezes, um chute no balde faz um bem danado no astral. Às vezes, chutar muitos baldes por aí pode acabar acertando quem não deveria. 

Mas a saúde agradece livrar-se de quem só está ao teu lado para competir. Aquela pessoa que só te elogia no intuito de receber dois elogios de volta. Que só te ajuda para um dia cobrar com juros. Que aluga teu ouvido com uma história tão repetida quanto Sessão da Tarde. Alguém que enche-se de orgulho em te dizer que conhece um montão de pessoas, mas à noite, só o travesseiro faz companhia.
Enfim, acho um saco! Gente sofredora profissional que faz Jesus Cristo passar vergonha. Alô!!!! Tem uma vida passando bem aqui e agora!

Já não bastasse o banco cobrando a dívida, você ainda tem que aturar cobrança de atenção. Possessividade sobre a amizade. Aquele tipo de pessoa que marca amigos como se marcasse sua boiada, determinando que você não tem o direito de conviver em outros círculos.

Ou seja, fujo de pessoas que trazem na testa a palavra "arrependimento". Das amarguras da vida, bastam as minhas, que eu mesma cultivei. Carrego minha própria cruz, mas procuro esquecer o peso e observar a paisagem. Se não for para me acompanhar assim, que fique longe de mim.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um minuto para os comerciais!


Aberta a temporada dos senhores de chapéu na mão. Ano de eleição. Salve a democracia! Mas salvem-na, principalmente, desses tais senhores.

Falam em avanço, falam em transparência e falam demais, sem nada a dizer. O circo está preparado e o pão assado na fogueira das vaidades.

Alguns dias nos distraem com a bola rolando, em outros dias, um novo escândalo. Na calada da noite se fazem as leis que aumentam os salários daqueles senhores. E o povo dorme! No dia seguinte, uma pílula de placebo no noticiário da tv.

A culpa é deles! Mas não seriam tais senhores representantes do povo? Também são povo. Ou somos todos assim, ou somos apenas covardes acomodados placidamente no sofá assistindo outro capítulo da novela.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Da Influenza

Tenho me preocupado com opiniões. Uma opinião que é minha, quando externada já não me pertence. Não tenho o domínio, não posso mais a submeter ao confinamento da minha mente. 

É quase como um vírus. Pode virar uma epidemia ou morrer sem ninguém notar. Influenza. Opinião não deveria ser a mãe da discórdia, da confusão. Tão pouco deve existir uma opinião sobre tudo. Reservo-me o direito a não opinar sobre várias coisas, pura e simplesmente porque desconheço. 

Tenho desconfiança nesta tal sabedoria embutida vendida a rodo pelos que opinam sobre tudo. Por vezes, estou do lado de lá, metralhando a mente alheia com o meu modo de pensar. Depois, paro e acho feio. Ressaca da opinião. 

E tantas pessoas agredidas assim! Porque alguém usou mais do que a liberdade de expressão e encontrou parceiros no"achismo". O que um grupo pensa, vira arma. Cabe a mim decidir se serei mais uma pessoa a puxar o gatilho. 

Opinião que não serve para construir, é o que se vê pelas esquinas. Contamina, passa de um para outro sem demora. É água poluída matando mais que apenas a sede. Evito.