quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Das transformações


O que você quer ser quando crescer? Isso mesmo! É essa a pergunta que ainda me faço distraidamente. Já se passaram três décadas e eu ainda sonho em ser alguém como Indiana Jones ou uma astronauta, quem sabe até Jedi!

Tem uma criança em mim, insatisfeita com as coisas da vida. Falo da vida de adulto, cheia de regras implícitas e tempo cronometrado para, entre uma coisa e outra, viver.

Aos 10 anos eu tinha pressa em ter 15 para poder ir às festas que via minha prima ir. Aos 15 eu queria ter 18 e ter minha carteira de motorista. Aos 18 eu queria logo ter 25 porque era a idade que eu imaginava que tudo estaria como eu planejei. Passou 25, passou 30 e agora estou com 34 anos e ainda não sou Indiana Jones.

E é em um momento qualquer da rotina que você se pega pensando no queria ser e no que você se transformou. Num dia em que tudo está muito chato e as pessoas à sua volta são simplesmente entediantes. Talvez, no mesmo dia em que você próprio está entediante.

Foi assim que concluí algo importante sobre os sonhos da infância. Eu não me transformei no que esperava. Eu sou uma pessoa como outra qualquer neste mundo tão grande. Mas, aos 34 anos, ainda mantenho a fé na transformação. E, mesmo que seja aos 70 anos, se meus sonhos continuam comigo é porque a vida tem valido a pena.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Enquanto chovia...


Chove...e corro pela rua desviando das poças e das pessoas. Abrigo-me de forma desajeitada debaixo de uma marquise. Na vitrine, meu reflexo. Tento realinhar a rebeldia do cabelo, é inútil. Arrisco mais passos adiante. Por quê o outro lado da rua ficou tão distante? Um pingo de chuva em meu rosto imitando uma lágrima. 

Ninguém repara no céu cinzento em um dia assim. Eu olho atentamente para a calçada, escolhendo onde pisar. Prossigo nos meus afazeres. Mexo na bolsa procurando alguns papéis. Por um segundo, arrependida de levar coisas demais comigo. 

Continuo caminhando. A chuva aperta. Já consigo ver o carro no outro quarteirão. Apresso-me. Penso em mil coisas importantes que tenho para fazer. Tão importantes! Agora, ocupada demais tentando vencer o tempo, não noto aquele rosto escondido debaixo do guarda-chuva. Não noto que alguém esbarrou em mim e pediu desculpas sorrindo. Eu estava em outro lugar que não em mim quando o amor falou comigo.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Fiesta, fiesta!


Em plena segunda-feira já tem amizade ligando para combinar o final de semana. Na quarta-feira, liga, manda torpedo e te chama no MSN (mesmo você estando off line). Na quinta-feira bate a ansiedade na pessoa e ela te pergunta várias vezes o que você decidiu.

Gente! Como é que vou saber se na sexta-feira por volta das 21h eu estarei com aquela vontade absurda de ir pro boteco, balada, o que for? Sou o tipo de pessoa que decide para onde vai conforme a vontade da hora. Não gosto de transformar em compromisso minha própria diversão.

Algumas vezes, até a escolha da roupa muda minha direção. Acordo numa sexta-feira com uma super vontade de usar aquele sapato meio drag queen e pintar a cara como se estivesse indo para a guerra. Nesses momentos, não me venha com esta de “barzinho”. Em outro dia, tenho necessidade suprema de sentar em algum lugar com boa música, pedir meu drink preferido e ouvir meus amigos contando da semana. E, muitas vezes, meu desejo mais profundo é curtir aconchego, lar, emendar um filme no outro e comer brigadeiro na panela.

Então, vou ao sabor do vento, do momento! E espero que os amigos entendam e, ainda assim, continuem fazendo convites para boteco, para balada e quem sabe, até um programa de índio.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A via crucis da amizade


De repente percebo que tenho liberdade e decido usá-la. E assim vou libertando também minhas vontades e desamarrando meu compromisso com quem não interessa. 

Nada mais chato que fazer coisas apenas por educação. Manter amizades que não acrescentam, não multiplicam, não potencializam em nada nossa vida. 

Às vezes, um chute no balde faz um bem danado no astral. Às vezes, chutar muitos baldes por aí pode acabar acertando quem não deveria. 

Mas a saúde agradece livrar-se de quem só está ao teu lado para competir. Aquela pessoa que só te elogia no intuito de receber dois elogios de volta. Que só te ajuda para um dia cobrar com juros. Que aluga teu ouvido com uma história tão repetida quanto Sessão da Tarde. Alguém que enche-se de orgulho em te dizer que conhece um montão de pessoas, mas à noite, só o travesseiro faz companhia.
Enfim, acho um saco! Gente sofredora profissional que faz Jesus Cristo passar vergonha. Alô!!!! Tem uma vida passando bem aqui e agora!

Já não bastasse o banco cobrando a dívida, você ainda tem que aturar cobrança de atenção. Possessividade sobre a amizade. Aquele tipo de pessoa que marca amigos como se marcasse sua boiada, determinando que você não tem o direito de conviver em outros círculos.

Ou seja, fujo de pessoas que trazem na testa a palavra "arrependimento". Das amarguras da vida, bastam as minhas, que eu mesma cultivei. Carrego minha própria cruz, mas procuro esquecer o peso e observar a paisagem. Se não for para me acompanhar assim, que fique longe de mim.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um minuto para os comerciais!


Aberta a temporada dos senhores de chapéu na mão. Ano de eleição. Salve a democracia! Mas salvem-na, principalmente, desses tais senhores.

Falam em avanço, falam em transparência e falam demais, sem nada a dizer. O circo está preparado e o pão assado na fogueira das vaidades.

Alguns dias nos distraem com a bola rolando, em outros dias, um novo escândalo. Na calada da noite se fazem as leis que aumentam os salários daqueles senhores. E o povo dorme! No dia seguinte, uma pílula de placebo no noticiário da tv.

A culpa é deles! Mas não seriam tais senhores representantes do povo? Também são povo. Ou somos todos assim, ou somos apenas covardes acomodados placidamente no sofá assistindo outro capítulo da novela.