sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Te desejo...


Por mais beijos e abraços e menos esculachos!

Feliz 2013! Simples assim. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vida de cacto


Para quem já matou um cacto por falta de água, é compreensível que eu precise de ajuda para cuidar do meu jardim imaginário, a fim de que venham as benditas borboletas. Problemas de gente grande me consomem. Fico distraída de mim. Quando me dou conta, a grama virou mato, as flores murcharam e, das tais borboletas, só a lembrança. 

É quando preciso tirar tempo para cuidar desse terreno fértil, embora negligenciado. Mas, seria melhor se eu percebesse a falta que faço a mim mesma todos os dias, e não apenas quando tudo vira bagunça.

Preciso de menos números e mais cores. Menos papéis e mais boa vontade. Vidinha burocrática que me transforma em máquina. Automatizei sentimentos, péssimo! Uma bela manhã acordo e percebo a dureza e aspereza do que me cerca. Saudade de relva...

 Minha ideia de equilíbrio é viver na corda bamba. Sempre à mercê de arrebentar a corda. Concentro força demais em um só objetivo, esqueço-me de tudo. Como um apostador na mesa de pôquer, arriscando todas as fichas em seu par de Ases. E a sorte é um moleque brincando com vidas.

No fim das contas, o jardim permanece lá, esperando que eu apareça. Fico um tempo ali, plantando carinho entre as flores. Até que tudo esteja tão bucólico que eu precise respirar o ar das máquinas, dos números e dos papéis mais uma vez. E as borboletas vão e vêm, algumas esperam eu voltar, outras esperam que a vida coincida. Não existe regra que explique o que é viver.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Reclamo porque é de graça!



Se reclamar da vida fosse esporte olímpico eu já teria minha medalha de ouro. Reclamo, na maioria das vezes, sem qualquer justificativa. Assim, bem na cara dura. Mas se me perguntarem se gostaria de trocar de vida a resposta é fácil e reta: NÃO. 

Cheguei à conclusão de que reclamar virou um hábito, tão desagradável para o convívio quanto a fumaça de um cigarro. Considero quase um hábito que foi promovido à categoria de vício. Eu gostaria de me libertar disso. Muito embora, como todo vício, sua prática causa-me certo prazer. Nem imagino o que seja reprimir integralmente a lamúria. 

Reclamo de ter que dormir cedo e acordo reclamando do sono. Reclamo do sono que me acompanha até o trabalho. Reclamo da ignorância dos outros no trânsito e nem noto a minha própria. Reclamo do calor, mas reclamo mais ainda do frio. Reclamo da chuva, do sol, etc. Que coisa feia, hein! Parece não existir a medida perfeita para tudo. Mas existe a gratidão. E eu a tenho negligenciado. Pior ainda, tenho culpado a vida pelo simples fato de estar em movimento. 

Se eu for analisar bem, eu gosto da minha vida e de tudo que a compõem. Não há muito que eu mudaria nela. Mas, reclamar é preciso. Ok, reclamar eu preciso. Às vezes parece um tédio constante pairando sobre o dia a dia. Algumas pessoas não sabem lidar com a rejeição, com a frustração, com a desilusão, eu sou do tipo que não sabe lidar com o tédio. Seja por preguiça ou por esquecimento, deixo de empenhar esforço para fazer mudanças. Assim, vou me conformando e seguindo na reclamação. 

Creio que perceber essa farsa em mim já seja é um passo adiante para evoluir. Certamente, não passarei a amar a segunda-feira, mas posso tentar deixa-lá mais leve, diminuir o negativismo diário e ter uma atitude mais empreendedora. Fácil falar, difícil fazer, mas nunca impossível de mudar.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A quem interessar possa




Eu não sou como eu me vejo.
Também não sou como o outro me vê.
Sou os dois e nenhum.
Nunca sei quem serei amanhã.
Talvez seja um mero estranho.
Como saber? Não se sabe.
Eu sei o que estou.
Pensamento e sentimento, nada mais.
Deixo o conceito de lado.
Que meu significado alcance
A quem interessar possa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O elo perdido

Alguma coisa aconteceu nas últimas duas décadas. A terra tremeu, mas não um tremor perceptível e inconfundível, como a queima imaginária de sutiãs das feministas ou os moicanos coloridos dos punks. A terra moveu-se de modo tão discreto que ninguém sentiu. Embora sem anúncios, algum alicerce ruiu nessa sociedade, fez-se pó em meio a tanta bagunça.

A geração que pariu a década de 90 dançou ao som de sintetizadores a liberdade. Um grande muro foi derrubado. Uma fila de tanques de guerra rendeu-se a um estudante. Governos se desfizeram. E ditaturas findaram. Parece ser o elo perdido entre uma época de luta e o descaso.


Seus filhos cresceram com voz. Geração falante. Livres para expressar, mudar e fazer outra história. Deram novo significado à palavra "comunicação". Uniram-se em redes. Democratizaram a informação, alías, até a democracia lhes foi concedida.

No entanto, o espírito empobreceu. Não vivendo as vitórias pregressas, pouco valor conferem ao que foi realizado. Até acham importante, em caso de serem questionados. Afinal, é cool ter opinião. Mas a memória dessas gerações parece cada vez mais referência apenas à capacidade de armazenamento de dados digitais.

E, onde estão os pais dessas gerações? Engolidos pelo comodismo que há em abrir o jornal e balançar a cabeça como quem diz "o mundo está louco". A quem lutou para ter voz, lamento agora que a herança seja silêncio. Aos que resistem, insistam, que ainda vale a pena.