sexta-feira, 19 de abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Verdade, marca registrada.


Ter estudo não significa que você se transformou na pessoa dona da verdade. A quantidade de livros lidos não te torna um sábio. Nem a sua crença, nem as suas estranhas músicas alternativas, nem sua roupa desleixada fingindo ser apenas casual, nem sua atitude anti qualquer coisa que seja povão, nada disso faz de você um ente superior na escala da evolução.

Aliás, existe mais sabedoria em um sertanejo tentando salvar a família da seca impiedosa do que na sua playlist metida à besta nos seus fones de ouvidos chamativos. O sertanejo olha ao céu sem nuvens e o interpreta. Existe mais sabedoria no idoso sentado sozinho em um banco de praça do que no seu rol de amigos avatares daquela rede social. O idoso sabe que a qualidade da vida não depende da quantidade do que conseguimos juntar ao longo dela. Um cão perdido tem mais sabedoria do que o ipad-pod-smart-chatice do qual você não desgruda. O cão compreende a importância de um lar, de afago e um bom amigo. E, sim, há mais sabedoria em uma lista telefônica do que em todos os seus posts pretenciosos anunciando uma revolta que nem você acredita.

Ah, a internet! Esta aldeia global onde tudo está ao alcance de um click. Realmente, basta um click para mudar de assunto quando fica muito pesado, quando alguém derruba um dos seus argumentos, quando sua imagem já não vale mil palavras, quando é preciso encher-se rapidamente de conteúdo para posar de inteligente. Um click de distância entre o mundo real e a fantasia. Quando deixou de ser aldeia global e passou a ser território disputado por várias tribos?

Podemos ser uma sociedade bem mais interessante do que essa. Podemos ser bem maiores, melhores e marcarmos uma era. Sermos célebres na história da humanidade e menos celebridades da TV. Sermos a direção no caminho e menos confusão. Talvez tenhamos perdido o foco no propósito de vivermos em conjunto.

Indignação e manifesto, mas com objetivos. Que sirva como elo e não como um muro que divide. Entre os que estão certos e errados, é só a verdade que sai machucada. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Grandes Bobões do Universo


Então você passa a conviver com uma pessoa que te causa admiração em grau máximo. Você quer ser assim, se espelha e anota mentalmente cada palavra dela. Pois tudo é sabedoria e tudo é bom. Os dias passam e o convívio ainda é visto como uma dádiva. Dá flagrante em si mesmo agradecendo aos céus por tamanha oportunidade de ser aprendiz de alguém que só você enxerga meio que sendo o Mestre dos Magos.

Leva um tempo para começar a aparecer as primeiras nódoas na magnífica convivência. O que você faz? Saca dos bolsos um punhado de pequenas desculpas para amenizar os sintomas da pré-desilusão. É que a pessoa dormiu mal, acordou mal, está com fome, brigou com alguém em casa, está com problemas no banco, está com dor de dente, com dor de cabeça, em um bad hair day, etc.

De repente, você descobre seu incrível potencial para justificar loucamente aquilo que, para os outros meros mortais, é óbvio: aquela pessoa não é real. Há alguma coisa refletida nela que fica distorcida, confusa e embaçada. Não era a pessoa, era o seu modo de olhar para ela.

E acontece assim, sem hora marcada e nem dia previsto. Sem aviso de perigo. Você simplesmente explode. Detona a dinamite da decepção e joga no ar estilhaços de mágoa. “Como pude me enganar tanto assim?” – repetindo como um mantra. A pessoa não te entende, muito menos você consegue se explicar. A admiração do aprendiz vira frustração. Enquanto o mestre pensa consigo mesmo: Criei um monstro! Passam-se os dias, aumenta-se a distância. Mas, indiferente a toda essa confusão, segue girando a roda da vida. Segue girando o mundo. 

sábado, 2 de março de 2013

Pequenas constatações acerca do nada

Lá se vão as primaveras! Embarco na casa 35 deste ciclo chamado vida. Mas, aproveitando ainda as últimas semanas de 34, me dou ao trabalho de fazer aquela manjada retrospectiva que, blá blá blá à parte, tanto faz se o saldo é positivo, a sensação é sempre a de sair devendo. 

Você vai ali na balança astral e começa a medir o peso dos acontecimentos de sua vida. No meu caso, descobri que não sei dividir em partes razoáveis a quantidade de energia necessária para fazer o lado profissional e o pessoal andarem em conjunto. 

Como não sei desenhar, vou explicar o que acontece. Eu sou um foguete, a vida é a trajetória que preciso percorrer do ponto A (nascimento) até o ponto B (morte). Para tanto, tudo que preciso fazer é acionar os dois motores chamados Profissão e Vida Pessoal. O problema é que, na largada eu me saí muito bem, mas em certa altura do percurso comecei a ter sérios problemas em manter os dois motores acionados com força total ao mesmo tempo. Trocando em miúdos, tenho andado frequentemente em círculos.

Para acionar um motor, preciso desligar o outro. Não era assim, mas com o tempo, fui precisando fazer tantos ajustes na minha trajetória que acabo gastando energia demais de um motor em outro. São frequentes as paradinhas para reabastecer de força e começar tudo de novo. O importante é não esquecer de desligar um e religar o outro, ou então, ficarei apenas flutuando no espaço/tempo deixando apenas que alguma força externa me conduza. 

Conheço foguetes que não vêm com este defeitinho e fazem essa jornada parecer muito simples. Apesar dos meus percalços, das trapalhadas, das frequentes panes e colisão com outras naves, descobri que se não fosse este "defeitinho" não teria vivido, conhecido, absorvido ou somado nada de interessante à minha vida. Tenho certeza que Deus, antes da partida, perguntou "com emoção ou sem emoção?". E todo o mundo já sabe o que respondi. 

O que tenho para me dizer de tudo isso? Enjoy it!