segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um duende chamado Otimismo

Eu não gosto de otimistas. São irritantes em seus sorrisinhos medonhos de alegria plastificada. Detesto suas frases prontas de pára choque de caminhão. Parecem ter caído de um comercial de margarina. Otimistas me causam urticária, dor de cabeça, náuseas e, desconfio, também a labirintite. Eles simplesmente não respeitam o seu direito de ver tudo pelo lado mais trágico, dramático e problemático. Possuem aquela petulância de achar que podem levantar o seu astral sem a sua permissão. Um atrevimento!

É sempre de um otimista a frase "há males que vêm para o bem" ou "depois da tempestade vem a bonança". E não basta proferir a bobagem, ele precisa fazer algo para potencializar o efeito laxativo que é sua presença. Um otimista despreza totalmente a vontade alheia de obedecer a Lei de Murphy. Ele ignora a sua necessidade de autocomiseração e te importuna com uma visão de futuro esperançosa quando tudo o que você mais quer é reclamar do presente e culpar o passado.

Mas, o mais irônico de tudo é que otimistas são como o remédio amargo: pode ser difícil de engolir, mas vai te fazer bem. 

terça-feira, 16 de julho de 2013

Um tapa na CARAS da sociedade

Um click no link e a página em letras berrantes e ortografia suspeita noticiando que “fulana de tal” foi flagrada caminhando na orla de uma famosa praia turística deste país. Suspiro de tristeza, desgosto ou de tédio mesmo. Outro click: o modelo/ator “beltrano” (sim, porque modelo/ator é destas novas profissões por aí para empregar bacharel em reality show), enfim, o rapaz foi visto aos beijos com uma loira desconhecida na balada, fato narrado com obcecada insistência em sugerir uma possível cornitude referente ao ato praticado.

Para provar que sou teimosa, persisto procurando as notícias em meio a tanta bobagem sobre a cor de esmalte mais pedida da novelinha, ou “10 dicas para melhorar o sexo”, ou ainda, as últimas sobre a briga de duas mulheres-bunda. Mas, quase que nas entrelinhas e entre um anúncio da Polishop e outro, encontro algumas matérias realmente interessantes, do tipo que faz mais do que relatar fatos, do tipo que planta a semente do pensar para além do espetáculo fantasioso que tem sido isto a que chamamos de sociedade. Do tipo que ousa levantar a cortina no fundo do palco e ver como as coisas realmente são.


E por falar nisso, não deixe de responder à enquete sobre o tema “você é a favor ou contra a morte do vilão da novela?”. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mentira tamanho M


Injúria. Perjúrio. Calúnia. Difamação. Boataria. Fofoca. Disse-que-disse. 
E mentir é sempre um clássico em todas as estações. 
A verdade é uma roupa apertada que causa incômodo, um sapato que te lembra do calo em cada passo do caminho. 
A verdade é “démodé”. Não combina com o brilho barato do seu colar de cretinices. 
A mentira ainda é a “belle de jour”. 
Mas passa o dia, apresenta-se a noite e a verdade é a única que fica. 
Mentir é devaneio de um coração que tem medo do escuro.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mexa-se!

Os muito inúteis que me perdoem, mas trabalhar é fundamental. Não pelo acúmulo ganancioso. Não pelo vício do processo. Não pela sede de poder. Mas pelo simples fato de ser útil. A quem? A si mesmo. De ter objetivos e seguir por caminhos. Ainda que o seu trabalho não seja rentável, ainda que não seja glamouroso, ou mesmo notável. 

Trabalhar não é ser uma mera peça na engrenagem que mantém o sistema. Fazer seu próprio sustento. Ir muito além da obrigação do talento ou do sucesso aos olhos dos outros. Mas olhar para si e reconhecer a própria capacidade. 

Jamais abandonar o sono latente na cama sem a coragem do guerreiro que precisa sobreviver nesta selva de pedra. Não ser o lacaio da preguiça que delega a tarefa a qualquer outro. Não ser o fraco que se refugia na sombra dos fortes. Não ser a vergonha no espelho, tão pouco a vergonha alheia. Que a brisa jamais seja o prêmio dos moralmente aleijados e oportunistas.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Parei!

Parei de escrever porque a vida chamava lá fora na rua, na lua, nos outros. Parei de escrever porque o dia de sol brilhante ofuscou a linha torta em que eu tentava inserir opiniões retas. Parei de escrever para poder ver além. Parei de escrever para aquecer as mãos segurando uma xícara de café. Parei de escrever para afagar a espécie canina de raça indefinida que me chamava para brincar. Parei de escrever porque o pensamento queria fugir para um lugar onde houvesse lembrança boa. Parei de escrever porque Morfeu veio me visitar. Parei de escrever para sonhar. Hoje, voltei a escrever, timidamente e sem fervor, para não atrapalhar a calmaria que ainda há.