sábado, 2 de março de 2013

Pequenas constatações acerca do nada

Lá se vão as primaveras! Embarco na casa 35 deste ciclo chamado vida. Mas, aproveitando ainda as últimas semanas de 34, me dou ao trabalho de fazer aquela manjada retrospectiva que, blá blá blá à parte, tanto faz se o saldo é positivo, a sensação é sempre a de sair devendo. 

Você vai ali na balança astral e começa a medir o peso dos acontecimentos de sua vida. No meu caso, descobri que não sei dividir em partes razoáveis a quantidade de energia necessária para fazer o lado profissional e o pessoal andarem em conjunto. 

Como não sei desenhar, vou explicar o que acontece. Eu sou um foguete, a vida é a trajetória que preciso percorrer do ponto A (nascimento) até o ponto B (morte). Para tanto, tudo que preciso fazer é acionar os dois motores chamados Profissão e Vida Pessoal. O problema é que, na largada eu me saí muito bem, mas em certa altura do percurso comecei a ter sérios problemas em manter os dois motores acionados com força total ao mesmo tempo. Trocando em miúdos, tenho andado frequentemente em círculos.

Para acionar um motor, preciso desligar o outro. Não era assim, mas com o tempo, fui precisando fazer tantos ajustes na minha trajetória que acabo gastando energia demais de um motor em outro. São frequentes as paradinhas para reabastecer de força e começar tudo de novo. O importante é não esquecer de desligar um e religar o outro, ou então, ficarei apenas flutuando no espaço/tempo deixando apenas que alguma força externa me conduza. 

Conheço foguetes que não vêm com este defeitinho e fazem essa jornada parecer muito simples. Apesar dos meus percalços, das trapalhadas, das frequentes panes e colisão com outras naves, descobri que se não fosse este "defeitinho" não teria vivido, conhecido, absorvido ou somado nada de interessante à minha vida. Tenho certeza que Deus, antes da partida, perguntou "com emoção ou sem emoção?". E todo o mundo já sabe o que respondi. 

O que tenho para me dizer de tudo isso? Enjoy it!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Os dois teimosos

Estou em férias, mas não em estado de férias, ou seja, minha Mente ainda trabalha. Meu Corpo não. Esse anda apegado ao sofá de casa, todo manhoso e sonolento. A Mente, coitada, andava com a agenda cheia de coisas importantes a fazer, coisas para garantir o futuro. Havia muito o que estudar, muito o que assimilar e todas as gavetas da vida para colocar em ordem. Obcecada, chegou a escravizar o Corpo, deixando-o sem dormir, esquecendo de alimentá-lo, nem ao menos levava mais para passear. 

Costumava ser uma dupla de sucesso, chegando sempre juntos e um respeitando as vontades do outro. Mas tem tempo que a relação anda tumultuada. O Corpo já não entende mais o que a Mente anda fazendo. Ele queria ir à praia e pegar um pouco de sol, sentir o sal do mar e ter sensações novas. A Mente acha que não é o momento, é preciso fazer coisas bem mais urgentes. De tal forma que o Corpo obrigou-se a perguntar a ela: afinal, que coisas são essas das quais você sempre fala mas nunca as vejo?

E deu-se a discussão do relacionamento!

Agora estão ambos magoados. Ele se sente colocado em segundo plano. Ela acha injusto que trabalhe pelos dois. Vendo que são obrigados a permanecer juntos, optaram por ignorar um ao outro e cada qual tenta fazer o que bem entende. O Corpo se recusa a sair do sofá e a Mente insiste em torturá-lo com urgências que nem existem. Enquanto isso, em meio ao tempo perdido, levanto a inútil bandeira branca da paz. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Unidos do Império da Vaidade

Há o orgulho e o amor por si mesmo que surgem quando estamos satisfeitos por quem somos. Vem a vontade natural de que os outros nos vejam assim, triunfantes. Mas são coisas que vêm de dentro. Quando não temos muito o que trazer à tona, somos mais casca do que polpa, sumo e sabor. E, por fora, todos podemos ficar muito parecidos. Afinal, é muita estrelinha para pouca constelação.

Eis que nunca fui santa, tão pouco fervorosa praticante da fé, portanto, sem a presunção da moralidade nas minhas palavras. Apenas observo e anoto. Por vezes, chego a algumas conclusões. A mais recente delas: prazer virou obrigação social. 

No olho do furacão que é o carnaval neste país, onde já reinou absoluto o pecado da luxúria, lidera um dos 7: a vaidade. Não é  a promiscuidade que assusta os mais conservadores, é a desenfreada busca individual pela aparência perfeita. Em uma profusão de peitos, bundas e músculos, onde foi parar a alegria?

Aquela passista de sorriso amplo e pés ligeiros, mas genuína. O compasso da cuíca e o molejo atrevido do folião que passa feliz pela avenida. Não há mais o brilho da festa pagã. Já não há a fantasia. Adeus Arlequim, Pierrot e Colombina. O único trio que interessa é o elétrico! Adeus chuva de confete e purpurina. Já não desfila o carro alegórico, desfilam as barrigas tanquinho e a nudez que já nem espanta. O carnaval ficou tão normal que decepciona.

A dinastia da beleza corporal é rainha de bateria. Onde está o Bloco das Pessoas Reais? Rei Momo emagreceu para não ser deposto. O carnavalesco sangrando criatividade para se superar e aquela "modelo/atriz" foi a única coisa de que falaram. Nem falo dos carnavais de rua, de clubes ou de blocos. Tudo amarrado àquela cerveja ruim monopolizando sua sede no camarote da chatice. Aliás, estamos em tempos que até cachorro de rua é V.I.P. Desse jeito, o bom mesmo é esperar a quarta-feira de cinzas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Bem mais

Eu... namorando o mar.
Viva o exagero, o excesso e a profusão! Sejamos sinceros em admitir que gostamos de fartura. 

Adoro encher meus olhos de tanto ver beleza. Ficar com bochechas de hamster de tanto comer delícias. Inflar o peito com todo o ar possível quando sinto aquele perfume. Esticar a cara toda naquela gargalhada. Espreguiçar o corpo em todas as direções antes de sair da cama. Ter um coração superlotado de gente amada. Ouvir a música predileta em looping eterno. 

Sim, eu gosto de um exagero bem distribuído pelo meu dia. Daqueles que preenchem as lacunas onde, de vez em quando, amontam-se tristezas. Gosto de ver o horizonte largo, o céu alto e as estradas sem fim. Eu gosto do muito, porque o pouco é para os conformistas. Eu desejo mais, sempre mais. 

Há quem diga que a felicidade é contentar-se com o menos, não ligar para a falta e ignorar o grande espaço vazio que te envolve. E eu acho que é só uma outra forma de ilusão. Se for para trocar seis por meia dúzia, fico com os meus desejos megalomaníacos de ir mais alto, mais longe e mais rápido. 

Não consigo estar à beira do mar sem ter vontade de abraçar o oceano inteiro. Não sei viajar sem ter necessidade de percorrer todos os caminhos. Não sei amar sem sentir por inteiro. Se a vida oferece, eu quero. E o que não vale a pena, não carrego em meus bolsos.