terça-feira, 9 de junho de 2015

Eu não sei ser princesa

Eu não sei ser princesa, mas sempre quis viver meu conto de fadas. Às vezes falo palavrão, fico de porre, desço do salto, perco a vergonha na cara e a educação. Tenho meus dias ásperos em que desisto de ser rosa e visto-me de espinhos. Mas existem dias e... existem outros dias. 
E um dia te conheci. Foi quando a vida ficou melhor que o conto. Quando resolvi trocar fadas por flores. Foi quando descobri que príncipe encantado não supera um homem de coração largo. Nenhum castelo é maior que teu abraço.
Um dia saí da fantasia e fui viver o real. Em um dia assim te descobri. Por dias assim que quero viver para sempre, ainda que felicidade seja uma montanha russa. Gostar de alguém é, antes de mais nada, deixar alguém gostar de você também.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Do vencer e outros mistérios

Acontece todos os dias, com milhares de pessoas pelo mundo. Acontece do outro lado do continente, ou do outro lado da rua. Acontece enquanto passa a telenovela, enquanto alguém ouve música. Acontece para quem está aguardando o ônibus depois de um dia cansativo de trabalho. Acontece para quem saiu para comprar pão. Acontece enquanto houver gente vivendo. 

Mas, afinal, o que foi que me aconteceu? Apenas a vida transcorrendo com um sentimento de vitória. Por que sempre considerei que vencer é estar vivo enquanto o segundo passa pelo ponteiro do relógio. A vitória mora nos detalhes do que fazemos diariamente. 

Eu não descobri a cura para nenhuma doença, não elaborei nenhuma teoria brilhante, nem construí obra memorável para a humanidade. Aliás, meu pequeníssimo passo não faz cócegas nos passos que direcionam a humanidade. Mas hoje fui vitoriosa. Por que, como disse, a vitória mora nos detalhes de um dia vivido sem pressa de ser grande. Vivido na paciência dos passinhos de formiguinha, de erguer um tijolinho após o outro. De saber olhar o céu e esperar a chuva, de esperar a água ensopar a terra, de esperar a semente brotar, de esperar a planta crescer e, finalmente, colher o fruto.

Hoje entendi que vence melhor quem acredita em si e não quem acredita no que se fala por aí. As atitudes grandiosas que me perdoem, mas os gestos mais insignificantes é que dizem do que somos feitos.

Enquanto isso... saboreio meu fruto colhido.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Colcha

Entrei apressadamente em uma loja de artigos para cama, mesa e banho em busca de uma colcha para minha cama. Faltavam vinte minutos para fechar o estabelecimento e eu tentando escolher a combinação perfeita: estampa-tecido-preço. Esta parte foi fácil. Complicado foi responder à pergunta sobre qual o tamanho da cama. Oras! Não lembrava um só momento em que tivesse me deparado com a tal medida do móvel. Mas, procurei puxar pela minha memória fotográfica e cheguei à conclusão de que era uma cama muito grande, portanto, pedi pela colcha maior que houvesse ali. 
Conhecida por minha objetividade nas compras, não levei mais que dez minutos para decidir o que levar, mais uns cinco minutos para pagar e já me considerava uma recordista olímpica só pelo fato de ter saído da loja antes do horário de fechamento. Pensei que seria justo estabelecer este tipo de competição de modo oficial, com direito a entrega de medalha de ouro no pódio. Caminhei pela rua ostentando imaginariamente minha medalha de ouro na categoria “consumo nos cem metros rasos”.
Acontece que essas alegrias superficiais que criamos para passar o tempo na trivialidade costumam vir para pregar peças. Algo como uma pequena lição sobre a arrogância nossa de cada dia que nos dai hoje. Fui estender o artigo têxtil em cima da cama gigantesca e algo surpreendente aconteceu! A cama havia encolhido. Sim, somente esta era a explicação que julguei plausível, realística e aceitável no momento. Como poderia aquela cama ser menor que aquela sensação de vastidão que tenho ao deitar-me todas as noites? Como o espaço vazio que me circunda nela e me acolhe o sono nas noites frias pode ter reduzido? Para onde foram aquelas centenas de centímetros desocupadas do lado direito? E, enfim, quando foi que eu deixei de sentir saudade? Quando foi que eu me deixei?


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Luta Continua

Depois de um tempo você não comete mais bobagens. Não dá murro em ponta de faca. Nem insiste no velho erro. Ainda que o erro lhe seja um porto seguro, aquele lugar aconchegante para onde fugimos quando sabemos que fomos um tanto incompetentes na vida. Nada melhor que justificar a teimosia como apenas um dedo podre.

Depois de um tempo você esquece mágoas, rancores, raivas, desgostos... depois de um tempo.
Eu não sei quanto tempo leva para esquecer ou para parar de errar o mesmo erro.


A única coisa que sei é dessa vontade de viver tudo de novo, mesmo que as estatísticas, as profecias, as dicas, os conselhos, as tias digam que nada vai dar certo. Por que no final, tudo dá certo mesmo.

sábado, 4 de outubro de 2014

A tribo

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Surge uma nova tribo no infinito deserto virtual. Eis-me ali. Postada sob a forma de avatar, que é a forma que eu quiser e não a de como sou. Andarilha, nômade em um camelo de megapixels, percorro o caminho óbvio. 

A tribo move-se rápido. Muda o acampamento tão logo esgote o oásis. Mas não há paraísos, é tudo areia. Tudo é grão que se esvai no assunto do momento, na foto mais comentada, na pauta de bobagens.

E quando a tela descansa, finalmente temos paz.