sexta-feira, 25 de outubro de 2019

O pensamento

O que é o amor se não o momento em que o fôlego se perde no espaço entre mim e você?
O que é o amor se não um cheiro de chuva ao fim de uma tarde de verão?
O que é o amor se não o devaneio do poeta ou o sopro da infância?
O que é o amor se não a foto na estante e a lágrima no rosto?
O que é o amor se não o arrepio na pele ardente?
O que é o amor se não o verbo na primeira pessoa do plural?
O que é o amor se não a incerteza das horas que anunciam a manhã?
O que é o amor se não um amontoado de instantes?
O que é um instante na vida de quem ama?
E a vida de quem ama, não seria apenas um breve instante no oceano do tempo?
E, sendo tudo tão breve, tão momento, não seria o amor apenas esperança?
Pois que seja lapso, que seja eterno, desde que seja amante.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Regresso

Que saudades de mim!!! 
Eis que me vejo à porta de casa e, com um sorriso de viajante, reconheço-me!!! 
Quantos caminhos sinuosos percorri entre o perder-me de mim mesma até chegar aqui, no recomeço! 
Finalmente, deixo ao chão o fardo pesado da bagagem de tudo que vivi. 
Não renego as pedras, os espinhos ou as lágrimas... Tudo é parte de mim agora. 
Dou o passo. Passado. 
Entro em minha morada, percorro os espaços, paro em frente ao espelho. 
Como o filho pródigo que à casa torna, abraço-me demoradamente. 
Voltei. 
Ah! Que saudades tive de mim!

quinta-feira, 31 de março de 2016

Comemoremos!



Aí você acorda e percebe que chegou mais um ciclo de vida. Lá se foram 37 deles e começando com alegria o 38º. O tempo age rápido e sutil. Você olha no espelho e encontra mais uma ruga, mais um cabelo branco, mais um sinal de que a vida está acontecendo. E eu adoro tudo isso! Nenhuma idade pretérita é melhor do que a de agora. Nenhum momento é melhor que o presente. Nem as doces lembranças do passado e nem as grandes expectativas do futuro. Hoje acordei e me parabenizei pelo simples fato de que é isso que devemos fazer a cada manhã, em cada despertar para mais um dia...
Fazer aniversário é fazer as contas do tempo que gastamos e ter orgulho disso!

quinta-feira, 3 de março de 2016

Aqueles agentes secretos e indiscretos


Ando me perguntando se eu estou no padrão de normalidade que anda se arrastando por aí. Para alcançar uma resposta, precisei considerar muitas coisas no meu modo de encarar a vida. Precisei considerar, também, os mais diversos rótulos que ouvi ter recebido de bocas alheias. Então você pensa se tudo não passa de uma questão de vender a foto do produto ao invés do produto em si. 

A culpa deve ser minha. Afinal, eu acho, verdadeiramente, a vida pessoal de terceiros desinteressante. Eu não ligo a mínima para os fatos que são tão importantes para tanta gente. Simplesmente, não me interesso, não me desperta curiosidade, não me comove ou qualquer sentimento do tipo, saber os detalhes da vida íntima, financeira ou sexual de terceiros. A única informação pertinente para mim é quanto ao meu próprio salário, em como pagarei minhas contas, como gastarei meu dinheiro. Sim, tem gente que se ocupa seriamente sobre fazer controle financeiro com o dinheiro dos outros, pior ainda, com um dinheiro que sequer lhe diz respeito. 

Também me desinteresso pela rotina dos outros. O que fazem em seu tempo livre, o que leem, o que assistem na tv, o que falam ao telefone, o que comem, o que vestem, aonde vão e de onde vêm, o que querem da vida, a que horas saem, com quem saem, com quem voltam, em outras palavras, um sem-fim de trivialidades da vida de outra pessoa que nada me diz respeito.

Talvez eu seja excessivamente desinteressada do que não é da minha conta. Talvez eu seja a errada. Talvez, para me enquadrar nesse esquema de pequenezas, eu devesse ser mais intrometida, mais curiosa, mais invasiva e inconveniente. Sou eu que estou errada. Este meu profundo e ofensivo desinteresse agride, ofende a quem está tão dedicado a monitorar a grama alheia que nem repara que apenas erva daninha anda crescendo em seu quintal. Agride a minha não dedicação às coisas que não mudam minha vida. Agride quando alguém tem mais o que fazer do que brincar de espionagem caseira.

Mas, uma coisa há de se considerar: o que eu penso não faz nem cócegas no rumo da humanidade. Então, recolho-me à minha insignificância.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Quando li sobre a proibição do sal à mesa


Que estranho momento estamos vivendo! Parece que há a predominância de certos mantras como, “proibir sempre, tolerar jamais” e “só a vitimização salva”. Eita, que esta geração está chata! Parecendo mais criança birrenta que não ganha o presente de Natal que pediu. Resolvendo tudo no grito, batendo os pezinhos no chão para ser o centro das atenções. E eu me pergunto, onde estão os pais desta “criança”?!

Não sei em que época as coisas começaram a desandar, mas sei que este tombo para trás da evolução vai deixar marcas na pele da humanidade. A geração que não sabe resolver seus problemas, pelo contrário, cria outros piores. É igual ao sujeito que faz um empréstimo para quitar outro. A geração que faz o individualismo a regra e a democracia, a exceção. A geração que não consegue lidar com frustrações. Que joga a educação de seus filhos na mão de terceiros. Que acha que tudo é culpa dos políticos. Que não vê problema em dar um “jeitinho”, desde que seja para si. A geração que veio com o argumento da interatividade, mas nada mais que Narcisos. A geração da selfie, dos grupinhos no aplicativo, do check in, da vida perfeita do comercial de margarina. A geração que carrega na maquiagem social para esconder os defeitos. A geração do dedo apontado na cara alheia e do textão para todos os fins.

Só resta constatar que estamos vivendo a geração mais mimimi e porre de todos os tempos! Então você pensa sobre a próxima leva de filhos paridos nestes tempos! Agora façamos 1 minuto de silêncio pelo sal, pelo açúcar, pelo bom senso, proibidos de estarem à mesa.